A distância

Meu amor, tive um sonho estranho.

Nesse sonho eu não podia te tocar. Nesse sonho eu não podia te beijar. Nesse sonho eu não podia te abraçar. Trocávamos bilhetes virtuais porque mesmo os bilhetes reais estavam restritos.

Imaginava estar em teu colo, ou com você aninhado no meu e meus dedos passeando pelo seu cabelo numa melodia de carinho.

Nesse sonho, depois de tanto tempo com borboletas no estômago quando você me olhava, não podia mais te ver a não ser que por vídeo chamada, e isso me matava aos poucos de saudade, de necessidade de te sentir – precisava ouvir as batidas do seu coração, sentir sua respiração perto da minha, e tantas outras coisas, mas não podia.

Nesse sonho eu precisava ficar a alguns passos de você, depois de tanto tempo roçando mãos sem querer, encostando como quem não quer nada um no outro – descobrindo se era recíproco ou se era tudo fruto da minha imaginação.

Nesse sonho meus filhos também sentiam sua falta. Te falei que minha Mione nunca pediu colo para “estranhos”? Ou como a KitKat nunca saiu de trás dos móveis quando qualquer pessoa que não eu estivesse na sala? Mas com você foi diferente… E não podíamos ter isso novamente.

A vida não permitia mais o que começamos, a vida interrompeu o que poderíamos ser.

Mas sabia que uma hora iria acordar. Sabia que numa hora eu poderia afagar seu rosto, sentir sua barba roçando em meu rosto e seus lábios nos meus. E quando isso acontecesse eu iria poder finalmente falar, olhando nos seus olhos, que eu e todas as borboletas no meu estômago gostamos de você mesmo sem saber porque. E quando isso acontecesse ia beijar seus lábios te abraçando forte e afastando toda essa confusão. Isso vai acontecer, essa distância um dia vai acabar…

 

Escrito por: Jack Dias

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