A garota do sorriso mortal

Escrito por: Anderson Torquata

Eu não podia ficar de fora das publicações macabras do nosso querido DIVE WEB, no entanto, é minha obrigação não perder o ar romântico do Semeador de historias. Sendo assim decidi compartilhar com vocês fiéis leitores um conto romanticamente assombroso, boa viagem.

Denis era um jovem solteiro, bem resolvido e bonitão. Um cara bronzeado com seus razoáveis um e oitenta e cinco de altura fazia justiça ao seu perfil de surfista veterano, fato que entrava em contraste com seu profundo gosto pela calmaria e paz de espírito que possuía além de ser um eterno romântico a procura do amor ideal.

Em toda oportunidade que surgia ele montava em sua moto e explorava as estradas de São Paulo atrás de um lugar calmo para relaxar e colocar as ideias em ordem. Em uma dessas aventuras Denis viveu um de seus maiores e mais secretos romances, o dia em que conheceu a garota do sorriso.

Havia acabado de chegar na pequena cidade de Vila Bela, conhecida por seus costumes antigos e tradições que permaneciam intactas há muitas gerações. No centro da velha cidadezinha, encontrou uma pousada onde prontamente se acomodou e e arrumou para uma caminhada pelo seu mais recente destino de descanso.

Ao andar pelo centro da pequena cidade viu que uma decoração era aprontada por um pequeno grupo de pessoas que mais parecia uma família de tão entrosados em sua tarefa, fez algumas perguntas das quais não obteve resposta exceto por uma linda jovem que o recebeu com o mais lindo de todos os sorrisos que Denis havia visto ou iria ver em vida.

-Olá, você parece não ser daqui, não estamos acostumados a ver muita gente de longe.

-Desculpa não ter me apresentado devidamente sou Denis, prazer, na verdade eu estava encantado com o cuidado dos detalhes desta beleza de decoração que estavam fazendo e por isso perguntei se ia acontecer algo aqui sem me apresentar antes.

-Tudo bem Denis, meus primos não são muito de conversar com estranhos.

Um deles o que parecia ser o mais velho estava a observar a conversa dos dois com um ar de estranhamento como se o rapaz estivesse fazendo algo incomum, mas não se deu o trabalho de ir interromper a conversa.

Denis terminou seu passeio pela cidade e foi até onde estava hospedado para se arrumar para o festival até onde estava hospedado para se arrumar para o festival do reencontro, afinal era dia de finados, e como a cidade possuía um só cemitério os moradores além de visitar seus entes já falecidos também conversavam entre si sobre suas histórias de vida. A menina que conhecerá lhe explicou que há muito tempo uma garota que havia perdido o namorado decidiu todos os dias de sua vida visita-lo e corteja-lo em seu tumulo com presentes e os mais belos enfeites para seu descanso e com essa decisão ela passou a praticamente morar no cemitério e as pessoas que muito gostavam dela sempre a visitavam no cemitério levando presentes e tudo que ela precisava para sua estada diurna no local. No início todos colaboravam com aquela missão de amor e apoiavam mas todos no fundo não acreditavam que aquilo iria durar muito tempo e depois do primeiro ano as pessoas passaram a frequentas o cemitério mais pra se encontrar umas com as outras e conversar do que exclusivamente para apoiar a jovem apaixonada que permanecia em seu objetivo de fidelidade. Esse costume se tornou ainda mais tradicional no feriado de Finados onde todas as pessoas de um jeito ou de outro iriam passar o dia lá no lugar de descanso de seus entes queridos. Logo depois da morte da garota um dia depois do feriado de finados, as famílias da cidade

resolveram se reunir em homenagem a ela e continuar a vigília pela alma do tão amado namorado, cuja morte foi motivo do surgimento da amizade de muitas famílias e de um motivo em comum para fazerem as coisas juntos.

Depois de ter colocado a melhor roupa que encontrou em sua mochila de viagem, ele saiu para encontrar a garota que havia lhe convidado para o tão curioso evento de confraternização que acontecia todos os anos neste feriado em frente ao cemitério na praça central da cidade, na verdade a única.

Comeu, bebeu e se divertiu com a hospitalidade daquela pequena cidade unida por uma história de amor improvável, mas em todos os cantos que procurava não avistou a linda garota cujo sorriso não lhe saía da cabeça, não havia perguntado o nome dela então não podia perguntar por ela com o pouco que sabia dela, ele só lembrava do sorriso que circundava as silabas e palavras pronunciadas naquela tarde gostosa de conversa hospitaleira.

Em uma das voltas ao local principal do denominado festival do reencontro, ele encontrou o rapaz que o observou conversar com a garota do belo sorriso enquanto montava a decoração do pequeno evento. Depois de algumas passadas largas logo alcançou o rapaz e com a mão firme no ombro dele perguntou intrépido:

-Oi você é o primo da mocinha que me recebeu hoje a tarde, certo?

-Quem? Qual mocinha?

-Magra, baixa com um sorriso de tirar o folego?

-Olha moço eu sei que vocês que vem de fora não tem boa intenção com as moças da cidade, não sei de quem está falando mas não se atreva a desrespeitar nenhuma moça daqui, entendeu?

Denis sempre muito calmo não se ofendeu com o tom ríspido do rapaz e insistiu na pergunta.

-Mas ela me disse que era sua prima, vocês estavam montando a decoração hoje e ela estava lhe entregando umas coisas em um pacote.

-Não sei de quem você está falando, a única pessoa que me entregou algo hoje foi minha mãe que trouxe meu almoço, você tem certeza que não sabe o nome dela?

E Denis não sabia o nome e não se lembrava mais com fidelidade da fisionomia da moça, a única coisa que era fresca em sua mente era aquele sorriso inocente de moça prendada.

Continua…

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