DIVE WEB

A hóspede 

Desde que eu era criança e morava no Arizona, meus pais sempre receberam estudantes de intercâmbio em nossa casa, alguns vinham apenas para passar algumas semanas, enquanto outros ficavam por quase um ano. 

Pra mim sempre foi comum ter pessoas diferentes em casa, graças a essa escolha dos meus pais hoje tenho contato com pessoas de vários países e inclusive já estive na casa de alguns deles. 

Há dois anos quando me mudei para a Califórnia, resolvi dar continuidade nesse estilo de vida e coloquei a minha casa à disposição de estudantes. A princípio não tive muita procura, pois as pessoas tinham receio de se hospedar na casa de um rapaz sozinho, no entanto depois do meu primeiro hóspede passar um mês comigo e me dar uma excelente avaliação, a procura foi aumentando e eu sempre tinha companhia estrangeira em casa. Porém há um mês recebi a hóspede mais marcante de toda a minha vida. 

Eu estava terminando o jantar quando a campainha tocou. 

– Oi, você deve ser o Josh!? Prazer me chamo Freya. – disse a garota estendendo a mão.

– Olá Freya, seja bem-vinda. – confesso que nessa hora fiquei meio atrapalhado, pois a menina era de uma beleza rara. Eu que estava tão acostumado com as mulheres bronzeadas da Califórnia e do Arizona estava diante de uma pequena garota de pele branca como a neve e bochechas bem rosadas. Seus cabelos eram castanhos eram ondulados e iam até a sua cintura, fazendo um perfeito contraste com o seu rosto arredondado. 

Após meu momento de transe convidei Freya para entrar e a ajudei a se instalar em seu quarto. 

Durante o jantar ela me contou um pouco sobre a sua vida na Grécia com os seus pais e os seus três irmãos mais novos. 

– Meu sonho é morar na Inglaterra, eu sei que devia ter feito o intercâmbio para lá, mas aqui foi mais barato. – disse. 

– O seu nome é bem diferente, o que significa? – Eu realmente estava intrigado com o nome da garota. 

Seus lábios se curvaram em um sorriso ousado antes de me responder.

– Meu pai é norueguês e acredita em mitologias nórdicas, para os nórdicos, Freya é a deusa do amor, igual Afrodite é para os gregos e Vênus é para os romanos. – nessa hora senti todo meu sangue ferver e esquentar o meu corpo. – Mas Freya também significa “senhora”. – disse rindo quebrando assim um pouco daquela atmosfera que havia se instaurado na minha pequena sala de jantar. 

O restante da semana em que Freya passou comigo foi extremamente agradável, tínhamos muitas coisas em comum e conversávamos quase que o dia todo, já que eu trabalhava em sistema de Home Office e suas aulas de intercâmbio eram de apenas três horas por dia. Ela era uma garota muito divertida, mas extremamente provocante, o que era difícil de lidar, pois meus desejos por ela aumentavam a cada minuto, e eu não podia me envolver com uma hóspede, isso era totalmente contra as regras e pra piorar uma hóspede menor de idade, já que Freya tinha apenas 17 anos eu já estava com um pé na casa dos trinta. 

Na sua última noite em minha casa eu estava tranquilamente em minha cama apreciando um bom livro enquanto o céu desabava em uma tempestade violenta quando ela abriu a porta desesperadamente. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ela correu na minha direção e se enfiou embaixo das minhas cobertas. 

– Só me tire daqui quando essa tempestade acabar. – disse com a voz trêmula. 

– Por mim você pode ficar o tempo que quiser. – somente após essas palavras saírem da minha boca que fui perceber a burrada que fiz, ou não.

Lentamente Freya foi se descobrindo e se aproximando ainda mais de mim. Nessa hora o oxigênio já começava a faltar em meus pulmões e aparentemente em meu cérebro também, pois o pouco de sanidade mental que eu tinha começou a evaporar juntamente com as gotas de suor que escorriam em minhas têmporas. 

Quando Freya encostou seus doces lábios carnudos nos meus, todos os meus neurônios pareceram pifar e apenas o meu corpo parecia ter vida. A garota se entregou a mim como nenhuma outra mulher havia feito. Enquanto os trovões faziam estardalhaços lá fora, Freya sussurrava gemidos em meu ouvido, enquanto os raios iluminavam a noite, nossos corpos brilhavam de suor. E depois de horas intensas a garota foi se acalmando em meus braços assim como a tempestade ia se cessando lá fora.  

No outro dia acordei com uma forte luz do sol entrando pela janela que ficava acima da minha cama. Olhei para o lado e não vi Freya, me levantei e fui até o seu quarto, no entanto para a minha surpresa suas coisas não estavam lá e a cama estava devidamente arrumada com apenas um bilhete em cima.

Meu vôo partia às oito horas da manhã, por isso tive que sair cedo.

Preferi ir embora com a doce recordação de ver você dormindo do que com a de uma embaraçosa despedida.

Volto para as férias de verão, com carinho, Freya!

E aqui estou eu, com o calendário na mão esperando passar as 12 semanas que faltam para as férias de verão.

 

Escrito por: Rosângela Tomas

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