Fragmentos de Um Samurai

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Há mais de três semanas que venho recebendo as coisas de meu falecido avô Shiro Tabibito, coitado foi rotulado de louco pelos familiares. Morreu de parada cardíaca enquanto dormia. Não sei se é por que sou o único neto, mas só eu estou no testamento, Shiro era fanático por histórias de samurais e viagens no tempo (coisas bem distintas).

 

Lembro-me que quando pequeno ele sempre tentará me convencer que meus sonhos na verdade eram memórias ou até mesmo uma regressão astral minha, para outra era. Ele dizia que somente os Tabibito podiam realizar tal proeza, que na verdade a nossa família havia sido amaldiçoada e viver em um ciclo sem fim, onde toda a nossa dor sempre seria revivida. Fui crescendo e aos pouco fui parando de ter contato com meu avô e também com os sonhos, bem havia parado até eu começar a receber suas coisas em minha casa.

 

Dentre muitos pergaminhos, livros e papéis encontrei algo que era destinado a mim. Uma carta em meu nome com os dizeres:

 

Matsu Tabibito, Já sinto a sua falta, seja lá em que era eu esteja. Deixo esta lembrança a você para que consigas reivindicar a honra a nossa família novamente. Confio a você meus ensinamentos Bushido, Não quero que assim como eu você um dia chegue a cometer o Seppuku, seja nesta vida ou em outra. Meisa a feiticeira me disse uma vez que por mais que eu retorne não poderei mudar o destino, ela estava enganada. Ao longo da minha vida e com viagens bem elaboradas no tempo pude-me aprisionar na era Tokugawa, mas para isso terei que morrer, bem você já tem a minha carta, significa que eu morri, que droga não?Deixe o sentimenalismo de lado, preciso de você aqui comigo pois somente juntos poderemos.

 

“Endireite o galho enquanto a árvore é nova”

 

Shiro Tabibito.

 

Quanta asneira vovô escreveu. Guardei a carta. Dois dias depois minha namorada veio me ajudar ela pegou a carta, leu e disse:

– Nossa amor sabia que é possível viagens astrais? Se você estiver em sono profundo da sim tenho certeza!

Arranquei a carta de sua mão:

– Pare de ser louca, eu já acreditei muito nisso quando pequeno agora não mais.

– Quando somos crianças podemos sair do nosso corpo tranquilamente, pois somos puros e nenhum mal vai tomar nosso lugar, agora quando somos adultos e pecaminosos, se sairmos por um longo período algum espírito do mal pode apossar-se de nós.

Fiquei curioso

– E como eu posso viajar sem que me possuam?

– Entre em um coma induzindo e morre, só isso.

– Então esqueça!

 

Lilian já havia ido para sua casa, eu subia as escadas com umas caixas muito pesadas. Relembrava do que ela havia me dito… Por acaso ou não perdi o equilíbrio e cai do segundo andar, em cima da mesa de vidro.

 

Meu peito ficou pesado, olhei para baixo e um enorme pedaço de vidro havia perfurado minha costela, ali caído fiquei, acho que por horas… Em fim apaguei.

 

Abro os olhos estou em uma esteira de palha, sem ferimentos quarto escuro, feio apenas uma fresta de luz por uma porta de correr. Abro a porta…

Meu avô sentado a sombra de uma cerejeira, diz:

– Nossa, como você demorou em Matsu, a vida é um equinócio, não acha?

– Vovô, mas como?

– Ele se levanta lentamente, bate o pó do bushi e diz:

– Vista seu bushi, vamos partir ao encontro da feiticeira Meisa.

– Vô não sei usar nem uma faca na cozinha!

– Não não matsu, você não saberá em outra vida. Agora apenas mantenha-se calmo e olhe bem em volta que magnifico.

Caminhando para o portão ouço vovô falar:

 

Bem-vindo ao período Edo!

 

Escrito por: Edson Rocha

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