Ciclo De Sangue – Parte 1 – Prefacio

Ciclo

Escrito por: Edson Rocha

Estou dormindo? Não estou acordado, não sei ao certo. Abro os olhos e estou deitado na terra seca, quente, sem Vida e deserto tudo longe, vejo algo, uma coluna, espera são duas colunas com uma porta entre elas. Levanto-me e começo as passadas lentas e pesadas, esquerda, direita, esquerda, direita, esquerda, direita. Enxugo o suor da testa com as costas das mãos. Ouço risadas, baixas, mas inquietantes, continuo andando.

 

As risadas tornam-se gargalhadas, senti um ar frio percorrer a espinha e arrepiar cada pelo do meu corpo. Algo soa em meu ouvido: Corr! Não pestanejei como de costume e comecei a correr acreditando me livrar das gargalhadas e alcançar a porta. Tropeço em um solavanco, deslizo por uns 4 metros e bato em algo que parece ser um trilho. Ponho-me de joelhos e olho em volta e realmente estou em um trilho. Sinto o chão tremer, olho para trás e de onde saiu aquilo?

 

Um trem que há menos de meio minuto não estava ali. Agora vem em minha direção. Ele chega próximo, algo segura em minha camisa e me puxa, sinto a pressão que o trem faz ao passar por mim, seu som parece estourar os meus tímpanos. Caio de volta na areia me levanto rapidamente e já não há mais nada só o deserto, os trilhos sumiram.

 

Ouço algo baixinho, tento forçar a audição num ato em vão, quando me distraio ouço um grito: corra!

Comecei a correr, a areia não ajudava muito, nuvens começaram a cobrir o céu. Algo me desequilibra, sinto uma ardência nas costas, são arranhões. Algo me segura pela perna direita. Vou ao chão.

 

Uma pata pesada com unas afiadas pousa em minhas costas. Me arrasto saindo de baixo daquilo e me viro. Uma figura meio homem meio morcego, percebo que já é noite. Ele sorri para mim, aqueles olhos amarelos que em uma transição magnifica fica alaranjado e vermelho. Vejo seus dentes, verdadeira fileira de navalhas, não me movo, não consigo por algum motivo aquele olhar me atrai. Com suas narinas inspira o ar, sente meu cheiro. Caminha até mim abaixa e começa a falar:

 

  • A colheita esta próxima, você ainda não está maduro. Não é um fruto perfeito, mas será colhido assim mesmo.

Fiquei mudo, ele continua:

  • Sua habilidade menta é incrível, seu contato mental é quase físico. Então ele segura no meu braço e aperta. Eu grito e acordo.

Tudo silencioso, escuro, só ouço minha respiração, cama molhada com meu suor. Meu braço dói, ligo o abajur e há uma vermelhidão no meu pulso, a marca de uma mão!

 

Nome: Estevam Portella

Idade: 27 anos

★: 18/04/1985

†: –/–/—-

Raça: humano

Local: São Paulo

Profissão: Jornalista

Hist: Estevam mora em um apartamento na grande São Paulo com sua namorada. Formado em jornalismo atua na área. Órfão de pai morou com sua mãe em limeira até os 06 anos, mudou-se para a capital após o falecimento de sua irmã recém-nascida.

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