Oliver e Heloisa – Cartas de Natal durante a guerra

Natal de 1944 – parte 4

01 de Novembro de 1944

 

Heloisa, meu amor!

 

Semana passada encontramos um vilarejo que parecia esquecido pelo mundo, a guerra não tinha chegado até eles, os civis sabiam por alto sobre o que estava acontecendo, eles vivem de maneira tão arcaica que por isso estavam tão desinformados. Eles nos receberam bem, nos alimentaram e nos deram lugares quentes para dormir. Encontrar essas pessoas intactas e tão inocentes fez minhas energias se renovarem. 

 

Me sinto cheio de esperanças, algo me diz que logo estarei de volta para você, infelizmente não neste natal, mas tenho certeza que ano que vem estarei em casa. Finalmente conhecerei o nosso filho, brincarei com ele, contarei histórias antes de dormir, e poderei ser o homem mais feliz desse mundo. 

 

Hoje tenho que ser breve, pois esses dias estamos em constante movimentação, mas assim que puder escreverei novamente. Feliz Natal minha doce Heloisa, dê um beijo em nosso filho por mim. 

 

Amor eterno, Oliver!

 

26 de Dezembro de 1944

Meu querido Oliver! 

Te escrevo um dia após o Natal, então infelizmente você não pode ler os meus votos, mas saiba que como em todos os anos, assim que o relógio bateu meia noite eu olhei para a estrela mais brilhante no céu, te desejei um Natal de paz em meio a essa guerra e pedi ao Papai Noel que te trouxe-se de volta para mim. 

Nunca imaginei que existiriam pessoas que não foram atingidas pela guerra, espero que elas se mantenham assim e que não percam a sua inocência. 

Suas esperanças renovam as minhas, me deixando mais ansiosa do que nunca para ter você aqui. Nosso Pietro também ficará muito feliz em te conhecer, tenho certeza de que você será o melhor pai do mundo. 

Nós te amaremos para sempre, Heloisa!

Escrito por: Rosângela Carvalho 

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