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Para ler ouvindo “Ressaca” – Jão

Barulho ambiente de bar, conversas animadas, casais flertando…

  • Mais uma tequila, por favor.
  • Saúde.
  • Você já parou para pensar no que é a paz? O que é se afogar num mar de caos e perder o ar, se afogar?
  • Acho que você não devia tomar nem mais essa.
  • O que é transbordar de amor e morrer na praia, seco, sem nada?
  • São muitas analogias.
  • São muitas saudades.
  • E por que a saudade fica?
  • É amarga…
  • A bebida?
  • A saudade.
  • Você não consegue deixar ir?
  • Ainda não… Porque amei, amei que chegou a doer.
  • E o que aconteceu?
  • A vida.
  • Vocês se afastaram?
  • Mais uma dose dupla!
  • Tem certeza?
  • Do destino não.
  • Da tequila?
  • Pode descer. Você é gentil, desce uma pra você também, a saideira.

Sai cambaleante do bar, peguei o celular, ainda com a foto de nós dois. Abri o whatsapp e você estava online. Mudou sua foto de perfil. Me pergunto se você também faz isso, abrir a conversa pra ver se estou online sem coragem de digitar. Será que ainda pensa em mim? Será que também tem vontade de me chamar?

Lembro do último dia… você começando…

  • Eu te falei que não ia dar certo. Eu disse que eu não sabia me relacionar…
  • Eu tinha que acreditar…
  • Eu sei.
  • Então por que?
  • Por que eu não sei amar, eu…
  • Não tem jeito certo de amar, por favor, fica.
  • Desculpa…
  • Te vi partir, chorando, e começou a chover, como se até o céu chorasse nossa separação.

Quando percebo estou na sua rua, observando sua janela. Te vejo sentado na poltrona e avanço quase tocando a campainha, mas não consigo. Começa a chover e vou pra casa mais uma vez com as gotas de chuva misturadas as minhas lágrimas.

 

Escrito por: Jack Dias

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