Sorrateiro

Para ler escutando “Moral of The Story” – Ashe

Não queria pensar que você era a pessoa errada. A gente se amava. Ou eu te amava? Às vezes a gente se perde — do mundo, do outro, de nós mesmos. Às vezes a gente chora abraçado no travesseiro esperando que não doa mais. Às vezes a gente comete erros.

Você estava tão perto, mas já tão longe. Será que fui eu que fiquei cego e não vi os sinais de quem você iria embora? Será que… São tantos serás.

Eu olhei você indo embora, passando pelo pátio do prédio com sua jaqueta jeans surrada, depois de sair sorrateiro sem nem bater a porta… E sei que você ainda vai ficar guardado em mim, feito refrão de música que um dia foi a preferida, feito o gosto do bolinho de chuva que a vó fazia, feito saudade.

Lembra aquele dia na chuva? Foi nosso primeiro eu te amo. Eu corria para um abrigo e você me segurou pela mão, ensopados, e disse que me amava. Ficamos abraçados na chuva por tanto tempo, como se aquele momento pudesse durar para sempre. Mas não durou.

Adeus, meu amor. E por favor, não leve eventuais novos amores para o nosso café, pelo menos por enquanto. Não mostre para ele aquela música que descobrimos lendo um livro diferente e virou a nossa música. Não me entregue as coisas que deixei no seu apartamento, e não jogue fora o que plantei no seu coração. Aqui ainda vai doer, mas aos poucos tudo se ajeita. Pena não poder pedir pra você ficar um pouco mais… Prum café, pra minha vida.

 

Escrito por: Jack Dias

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