Um momento

Ela anda na rua de cara fechada. Parece sempre de poucos amigos e de pouca piada. Dizem que tem uma alma idosa.

Mas quando sorri, ah, aquele sorriso. Poderia acordar e dormir com aquele sorriso… sorriso de quem sabe o que quer e o que não quer, que carrega esperança e faz as pessoas o merecerem.

E sabe o que é pior? Quando a conheci achei que ela devia ser tão chata. Mas virou minha chatinha linda e eu a dela.

Como disse a música, quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração… E quem irá dizer que não existe razão.

Conforme o tempo passava vinha a vontade, de abraçar, de brincar com o cabelo… mas nunca fui uma pessoa de muitos toques. Ficaria suspeito. Ficaria muito suspeito. E se ela descobrisse? E se fosse que nem minha experiência anterior, e depois de um eventual fim as coisas ficaram estranhas? E se…

E nesses medos me perdi por muito tempo, bem mais do que gostaria. Bem mais do que deveria. Perdi a chance de ampliar nossos infinitos dentro dos dias que passamos juntas.

Um dia criei coragem, ou uma quase coragem… Afinal, chamei para um cinema com a galera. No fim das contas só ficamos nós duas (posso dizer como o esperado?) e fomos. Parecíamos duas adolescentes… Apesar de que no fim ela mal saíra da sua adolescência eu era quem estava mais nervosa. Os medos ecoavam em minha cabeça quando ela encostou o braço no meu. Sem olhar, encostei minha mão na dela. Ela segurou minha mão e eu olhei pra ela. Aquele sorriso e aqueles olhos… me aproximei devagar, e o beijo aconteceu. Um beijo lento, carinhoso, acompanhado de afagos nos cabelos. A partir de então, me perdi nesses momentos tentando ao máximo silenciar esses medos e apenas viver o presente.

 

Escrito por: Bárbara Dias

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