Uma História da Diocese – Lembranças

Lembranças

Os dias se passaram…

Padre Matheus procura seu amigo – Nicolas. Queria informações sobre a menina misteriosa, já que o Delegado ficou de buscar mais dados, enquanto isso, o Padre poderia ficar cuidando daquele Bebê. Neste pequeno espaço de tempo, Matheus teve que comprar leite e algumas roupinhas, não se esquecendo de vários pacotes de fraldas, a sorte é que na infância sofrida do Padre e com a morte do Pai, ele por ser o mais velho (Tinha uns sete anos), ajudou sua mãe a cuidar de suas duas irmãs menores.

Ambas, até os dias de hoje são gratas por tudo que ele fez por elas. Diferente dele que buscou auxílio e fuga na vida eclesiástica, as meninas cresceram e se tornaram muito bem – sucedidas financeiramente, uma virou Empresária de uma rede de Fast Food no Nordeste, especificamente na Paraíba, já a outra, casou – se com um diplomata Francês, e atualmente mora na Romênia.

Matheus e Nicolas se encontram no estacionamento da Delegacia.

— Matheus, até o momento, não tenho nada para falar, inclusive parece que essa menina apareceu do nada, não há entradas ou saídas de Hospitais na região ou proximidades. Estou fazendo o possível, mas está difícil.

Matheus houve silenciosamente, acostumado a mais ouvir do que falar, devido sua função como líder espiritual.

— Nicolas, continue a busca.

Nicolas confirma que sim e fala algo que tira Matheus do controle.

— Amigo, terei que avisar o Conselho Tutelar.

Foi interpelado pelo Padre.

— Jamais, Nicolas. Se não existem dados, significa que ela é foi dada por Deus. Ela é minha missão… — Nicolas olha com uma face de desaprovação, inúmeras vezes discutiam sobre fé, crença entre outros… — Eu sei que você é Delegado, mas meu amigo em primeiro lugar. Um dia eu errei, meus pecados são pagos até os dias de hoje. E não se esqueça, você me deve…

Nicolas suspira profundamente, e acabou concordando com o seu amigo.

— Matheus, eu desaprovo sua atitude, e não creio que Deus está – te punindo, ou lhe dando outra chance com essa menina… Mas se prefere assim, eu estou contigo.

Depois deste breve diálogo, ambos se despediram.

O Padre quando retorna e percebe que Amy está chorando, e corre assustado. Um dos seus ajudantes tinha ficado olhando a pequena enquanto ele tinha ido na Delegacia. Quando ele passa pela sacristia e chega em seus aposentos para na frente da porta, lá estava Ágata, com Amy no colo e dando leite.

— Desculpe Padre. Mas vim cumprir minhas obrigações espirituais e com a Igreja e vi esta Doce menina chorando, sua baba aqui, nem sabe cuidar de um bebê. Peguei um pouco do leite do André, e ela avançou ferozmente…

O Padre com receio das perguntas que viriam… já se prepara!

— Ágata te peço desculpas por aquele dia, na Delegacia, estava com a cabeça cheia de problemas.

Ágata era prima de Nicolas, e como eles, cresceram juntos. Ela sabia de toda a vida do Matheus e vice – versa.

— Não se preocupe Padre. Quem é a pequena?

Matheus foi rápido na resposta.

— Uma filha da minha sobrinha Liliane.

Todos sabiam que está sobrinha do Padre, era uma menina sem preocupações alguma. Engravidar nesta altura da vida, seria normal.

— Nossa, Padre. E a menina vai ficar com o Senhor? — via nos olhos da Ágata, que ela não acreditava… — E a mãe?

— Não se preocupe. É por uns tempos. A minha sobrinha rejeitou a criança.

Ágata faz uma cara de arrasada e acusadora, inclusive neste momento, ela também vive a sua fase mãe de primeira viagem. Seu menino André tem alguns meses a mais que Amy. No mesmo minuto, a mulher que ainda segurava a menina no colo, e balançava até o neném cair no sono, teve uma ideia e tinha que compartilhar com o Padre.

— Padre, se você vai cuidar desta menina, saiba que precisa melhorar o espaço dos seus aposentos, arranjar um berço, comprar mais roupas, enfim, estruturar para gerar um conforto para Amy.

Matheus começava a compreender onde estava se enfiando. Mesmo assim, consentiu com a cabeça a afirmação de Ágata.

— Outra coisa Padre, não sei quanto tempo ela ficará contigo, depois precisa colocar ela na escola. Sabia que estão construindo na rua debaixo, vai se chamar – “DIBINHO”. Eu vou colocar o André também, os dois podem ser amigos…

O Padre notando que Amy caiu no sono, pega ela do colo de Ágata, agradece todas as preocupações e recomendações, e pede para ela ir embora, pois tem que organizar a Igreja para a Missa de mais a noite. Ágata antes de sair faz sua última recomendação.

— Conte sempre comigo e minha família, Matheus. Cuide bem deste anjo de Deus.

Matheus afirma que fará o seu melhor, e abençoa Ágata. Quando ela vai embora, ele retorna para olhar aquela menina linda.

Seus pensamentos voam longe…

 “Será que eu teria sido um bom Pai”

Continua…

Deixe uma resposta