Uma sexta e a espera

O dia amanheceu frio, então na minha usual escolha de roupas coloquei um jeans, tênis, camiseta, uma jaqueta e um gorro. Peguei também meu fiel companheiro de chuvas, meu guarda-chuva de caveirinhas… Vai quê, né.

Fui trabalhar e no fim da tarde caiu o céu – logo, apesar do meu fiel companheiro eu chegaria ensopada em casa, então fui pro café ao lado do trabalho matar tempo e esperar a chuva passar.

Pedi meu café e arranjei um cantinho… E ela nem percebeu, sabe? Todo momento em que ela colocava a caneta em riste eu a observava atentamente… e quando abaixava olhava de canto de olho. Imaginava como seria a vida dela, ela escrevia impetuosamente no caderno, com um ar meio cansado como quem enfrentou uns bons leões juntos – parecia um pouco dura. Entretanto, a cada escrita a via esvaziar, relaxar a expressão – como quem tira um peso gigante dos ombros deixando a alma transbordar.

Resolvi puxar papo com o velho pretexto do açúcar. Comecei a falar e ela nem me ouviu, estava lendo algo que escreveu:

– O que você disse?

Eu puxei assunto e segui sem filtros, pensando comigo mesma “putaquepariu, por que falei isso!?” Até chegar ao ponto de me convidar para sentar com ela – sério, eu devia estar fora de mim e ela me achando louca.

Maaaas pelo menos uma louca simpática, porque a conversa fluiu. Ela colocou o caderno de lado conversamos por quase 2h. Perto da meia-noite ela disse que tinha que ir. Não tive coragem de pedir seu número, as palavras não saiam. Nos despedimos com um beijo na bochecha e de forma sincronizada minha mente me mandava desencanar, e meu coração me gritava que toda sexta esperaria ela voltar.

 

Escrito por: Bárbara Dias

Instagram|Facebook

Deixe uma resposta